A disposição final de resíduos urbanos
domiciliares em aproximadamente 80% das cidades brasileiras é realizada
diretamente sobre o solo sem nenhuma impermeabilização, sem drenagem e
tratamento para o chorume. Assim, a migração de contaminantes para o solo abaixo
dos Aterros de Resíduos Urbanos passa a ser uma questão de relevância. Atualmente, existem normas que regulam a
implantação dos aterros, e uma dessas regras é a implantação de mantas
impermeabilizantes que evitem essa infiltração. É necessário também que haja a
retirada desse líquido, por sistemas de drenagem eficientes, com posterior
tratamento dos efluentes sem que agrida o meio ambiente. Gases também são
liberados e podem ser aproveitados como combustíveis, o que pode trazer
benefícios financeiros. Outras maneiras ambientalmente mais viáveis são a
reciclagem, a compostagem, a reutilização e a redução.
A região de Jacobina e suas elevações
acima de 1000 m favorecem o acúmulo de água e o surgimento de inúmeras nascentes
que abastecem um grande número de pessoas. Parte desse patrimônio natural que
hospeda importantes espécies de animais e vegetação centenária encontra-se
ameaçado pelo lixo e a produção do
chorume, principalmente na região do
entorno da Vila de Itaitu, um importante reduto natural preservado que
abriga inúmeros rios e cachoeiras (Foto 1).
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Foto 1 (A) |
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Foto 1 (B) |
Foto 1 (A) – Lixo a céu aberto contendo diversos
materiais no entorno da Vila de Itaitu (foto retirada no site http://www.rota324.com.br/2016/04/nao-parece-mas-essa-imagem-e-em-itaitu.html; (B)-Mesmo lixão com uma camada de
terra sobre o lixo (20/05/2016).
Coord: 337725 /8745069 m
O chorume é uma substância líquida resultante do processo de putrefação (apodrecimento) de matérias orgânicas. Este líquido é encontrado em lixões e aterros sanitários. É viscoso e possui um cheiro muito forte e desagradável (odor de coisa podre). Caso não seja tratado, o chorume pode atingir rios, córregos e os lençóis freáticos (Figura 1). Neste caso, os peixes podem ser contaminados e, caso a água seja usada na irrigação agrícola, à contaminação pode chegar aos alimentos (frutas, verduras, legumes, etc).
Além de possuir baixa biodegradabilidade, o
chorume carrega metais pesados que os organismos vivos não são capazes de
eliminar, acumulando-os. Esse acúmulo pode causar uma série de problemas de saúde,
como diarreia, tumores no fígado e tireoide, dermatoses, problemas pulmonares,
rinite alérgica, alterações gastrointestinais e neurológicas.
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Figura 1 – Modelo esquemático de migração do chorume em subsuperfície. |
Este mapa indica que a Vila de
Itaitu está situada dentro da Área de
Influência Direta do lixão (raio de
1 km). Indica também que para seguir sentido a cachoeira das Arapongas, as pessoas circulam pela estrada
que passa ao lado do lixão, o que potencializa o risco de transmissão de
doenças. O mapa permite ainda individualizar um conjunto de
áreas (córregos e rios) com potencial
risco de contaminação por chorume e/ou resíduos urbanos. Estas áreas ficam
próximas ao lixão e a Vila de Itaitu e representam risco ao abastecimento de
água dos rios, córregos e a da água subterrânea.
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Figura 2 – Mapa indicando a localização da Vila de Itaitu e das áreas de influência. |
Em
uma época em que as tecnologias ambientais evoluíram, recomenda-se a remoção do
lixão deste local e/ou a construção de um aterro sanitário controlado como uma forma de mitigação do problema, o que é previsto no plano nacional de resíduos sólidos. Este novo
aterro deve ser construído em um local com base nas características geológicas
e hidrogeológicas do terreno, de forma a minimizar seus impactos. Faz-se necessário que a presença do atual
lixão seja tratada como um problema ambiental grave, principalmente por estar
localizado em um importante reduto natural preservado, que depende da
imagem ecológica para prosperar economicamente. É indicado também que seja
elaborado um plano de ação que deve incluir uma sondagem elétrica
vertical avaliando a “possível” migração de chorume em subsuperfície. Em caso positivo, recomenda-se a realização de um estudo diagnóstico ambiental e posteriormente, monitoramento e remediação/recuperação. Somente assim será possível avaliar a extensão da contaminação
e mensurar os seus possíveis impactos. E por fim, que sejam implantadas práticas
de coleta seletiva na Vila de Itaitu e seu entorno.
Carlos
Victor Rios da Silva Filho
Geólogo M.Sc.
E-mail: carlosvictor02@yahoo.com.br
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